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O que existe para ser homenageado na África?

O carnaval brasileiro desse ano ficou marcado pelo lamentável e vergonhoso episódio de uma das mais populares escolas de samba carioca ter feito no sambódromo uma homenagem a uma das mais antigas e retrógradas ditaduras do continente africano. Mais do que a homenagem, a escola teria recebido cerca de dez milhões de reais do regime ditatorial da Guiné Equatorial para a realização de seu desfile. Os dirigentes da escola insistem em dizer que não foi feita uma homenagem a uma ditadura, mas sim uma exaltação e uma homenagem à nação africana.

Bem, em primeiro lugar é uma bobagem afirmar que existe uma “nação africana”, pois essa ideia de nação dá a entender que todos os povos africanos formam uma unidade e compartilham uma suposta identidade cultural ou étnica ou mesmo nacional. Isto está longe de ser uma verdade, pois basta ver os inúmeros conflitos internos no continente que resultaram em verdadeiros genocídios, como ocorreu entre hutus e os tutsis há alguns anos ou o conflito sangrento entre sudaneses do norte e do sul mais recentemente.

Mas ainda assim, cabe uma pergunta: o que existe para ser homenageado na África? Tirando o fato de o nordeste do continente ter sido o berço da humanidade, de onde saíram os primeiros Homo sapiens, aquela parte do mundo até hoje só produziu miséria, atraso, obscurantismo e ditaduras. Os povos africanos praticamente reinventaram a escravidão durante o período bizantino, através da prática do tráfico de escravos africanos ou eslavos (europeus setentrionais) entre o continente e os califados muçulmanos do Oriente Médio.  A humanidade teve que esperar o advento do capitalismo mercantil, da reforma protestante e do iluminismo para que fossem dadas as condições e as premissas morais e éticas para que se condenasse a escravidão e as condições econômicas que permitissem sua efetiva abolição. Ou seja, a escravidão da qual muitos povos africanos foram vítimas, mas foram igualmente protagonistas, somente chegou ao fim pela ação do homem branco, europeu, burguês e cristão.

Foi na região norte do continente africano, conhecida genericamente como Magreb, que durante também o período bizantino, a desgraça chamada islamismo se expandiu pela primeira vez para fora do continente asiático, após os muçulmanos terem conquistado ao fio da espada os povos da península arábica. O islamismo se estabeleceu no norte africano, de onde pode se expandir para península ibérica, antes  mesmo de se consolidar no restante do Oriente Médio. Os povos ibéricos, espanhóis e portugueses, se consolidaram como estados e passaram a se desenvolver econômica e culturalmente somente após terem expulsado os Mouros, como eram chamados então os muçulmanos vindos do norte africano,   no final do século quinze. Expulsos da Ibéria, os  muçulmanos permaneceram no norte africano, assegurando o atraso econômico e político e o obscurantismo cultural e científico naquela região,  que permanecem até hoje.

É difícil citar alguma grande contribuição das civilizações africanas que tenha representado um avanço para a humanidade como um todo, inclusive para os próprios povos africanos. Os livros escolares costumam ensinar aquela tolice terceiro-mundista marxista,  segundo a qual a explicação para o atraso e a pobreza na África resultam de uma suposta herança maldita do colonialismo europeu. Essa tese da herança do colonialismo pode ajudar a entender em parte, se tanto,   uma ou outra particularidade de algum país africano, mas não explica de modo algum o atraso secular em que vivem os povos daquele continente.

O que na verdade explica  o atraso e a pobreza dos países africanos é que eles em sua maioria não conhecem a economia de mercado, a democracia e os princípios básicos de direitos humanos e de igualdade de todos perante a lei. Mas por outro lado, muitos desses países já beberam e muito da fonte das águas turvas do socialismo e do islamismo, o que explica muito bem o atraso tecnológico, a fome e a miséria e a opressão politica em que a maioria dos africanos vivem.

Em vista desse quadro geral, a pergunta honesta que se pode fazer é: o  que existe para ser homenageado na África pelo carnaval brasileiro? A resposta honesta é nada. Se os dirigentes da escola de samba em questão quisessem de fato fazer uma homenagem legítima a alguma região do mundo,  que fossem então homenagear o Vale do Silício, que em poucos anos fez muito mais pela humanidade inteira (inclusive para os miseráveis africanos) do que toda a profusão de teorias e explicações furadas inebriadas de uma visão exótica, distorcida e pequeno-burguesa a respeito da África.

Do ponto de vista dos brasileiros comuns, que não são necessariamente especialistas em história africana, só existe uma explicação para essa homenagem tola e imoral prestada pela escola de samba carioca:  é a nossa maldita propensão, ditada pela viseira do politicamente correto, em  aceitar de forma passiva e cega  um olhar distorcido e exótico,  e por isso mesmo esnobe e superficial e fútil, tipicamente pequeno-burguês, sobre uma realidade distante da nossa. Tão distante que nos faz enxergar, com uma razoável dose de cinismo e leviandade e aquela certeza que só a ignorância proporciona, beleza e exotismo onde só existe miséria, pobreza e atraso e opressão politica. Afinal, como Sartre ensinou: o inferno é sempre os outros.

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